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O que aconteceu com o mercado de food trucks de Ribeirão?

04/08/2017

por: Fran Micheli
O que aconteceu com o mercado de food trucks de Ribeirão?
Foto: Paulo Gallo / divulgação

Filas quilométricas para experimentar o hambúrguer famosão, matérias na tevê sobre pessoas que largaram tudo para cozinhar num caminhão, gente com jeito pra cozinha investindo todas as economias para vender comida na rua. O hype passou e agora vans, kombis e caminhões com cozinha adaptada estão à venda esperando uma nova chance. O que será que aconteceu com o mercado dos food trucks? 

Apuramos o nosso olhar sobre os cozinheiros nômades (ou não tão nômades como é o propósito) para entender melhor sobre as consequências das modas gastronômicas que chegam em ondas ano após ano nas grandes cidades.

A terra prometida da gastronomia

A tendência dos food trucks estourou em Ribeirão Preto em 2014, ano em que houve o I Festival Gastronômico do Shopping Iguatemi, reunindo restaurantes e os primeiros food trucks da cidade com algumas figuras já conhecidas da comida de rua paulistana.  Logo depois, em março de 2015, o evento batizado de A Feira, também reuniu dezenas de restaurantes e food trucks em um espaço a céu aberto do RibeirãoShopping. O público de 15 mil pessoas na ocasião demonstrou um eufórico interesse na novidade.


  A Feira, evento no RibeirãoShopping reuniu 15 mil pessoas em 2015

Nesta época, alguns empresários tinham acabado de começar a aventura nos negócios de comida de rua. É o caso da empresária e cozinheira Bianca Watson, que terminou de adesivar o caminhão da sua Frida Taqueria às pressas de madrugada para participar d’A Feira.

Desde então, a comida mexicana que preparava com carinho fez muito sucesso no caminhão zero quilômetro. Segundo a empresária, no auge da novidade, o negócio chegou a faturar em média R$6 mil por semana. Com a adaptação, foram R$100 mil investidos, mas, desde janeiro deste ano, Bianca está vendendo o veículo com tudo dentro por R$60 mil.

Crise financeira e concorrência desleal são os  motivos apontados por Bianca para o fim da empreitada. “Eu amo cozinhar. Estudei, tirei todas as certificações, viajei, peguei referências, fiz consultoria. Mas começamos a disputar mercado com outros food trucks que tinham preço alto e comida não adequada. Veio aquela era de falsa gourmetização”.

Atualmente, Bianca espera ir embora do Brasil em breve e começar uma vida nova na Escócia com o marido.


Bianca (à esquerda) e a sócia Sandra, na Frida Taqueria

Quando o caldo da gestão desanda

O que a empresária relata é confirmado pelo analista de negócios e gestor do departamento de serviços de alimentação fora de casa do Sebrae, Leonardo de Moura Persi. Na opinião dele, a decadência do mercado de food trucks é, na verdade, um ajuste no mercado e que tem a ver com a falta de preparo dos empresários em gestão empresarial. “Muita gente teve a falsa impressão de que ter um food truck era mais fácil e mais barato do que ter um restaurante, mas não era levado em conta o custo de operação, a gestão financeira, a necessidade de mais tempo de dedicação”.

Ainda de acordo com ele, a grande mídia fez com que as pessoas acreditassem que ter um food truck seria a salvação financeira das pessoas. “Com a crise, grande parte do público parou de comer fora como comia anteriormente. Se as pessoas saem de casa, querem algo novo, preço bom e algo mais. Muitos não atendiam essa expectativa”.


Botânico Food Park, de portas fechadas desde março deste ano

Gabriel Nogueira, ex-publicitário e cozinheiro por trás da casa de massas artesanais O Pastifício, sabe bem das dificuldades de fazer comida de rua. Com uma experiência breve de quatro meses no Food Park Cidade no início de 2016, o empresário assume que faltou experiência no processo. “Como o projeto se desenvolveu subitamente, não tive tempo hábil para fazer um plano de negócio e essa falta de organização fez com que o gasto com insumos fosse muito alto”. Além disso, Gabriel diz que custo e encargos com colaboradores e a preferência do público por sanduíches e pizza também ajudaram a encerrar o projeto.

Segundo ele, a cozinha móvel de O Pastifício lucrava entre R$15 mil e R$20 mil, porém os gastos superavam os R$23 mil. “Apesar da experiência negativa, credito o fracasso muito mais a falhas estratégicas do que ao declínio do mercado de food trucks. Com a visão que tenho hoje acredito que conseguiria fazer os ajustes necessários para prosperar o food truck”, explica o empresário que preferiu manter o negócio em sede fixa no Jardim Santa Cruz.

Heróis da resistência

Empreendedor experiente do mercado de comida de rua, o empresário Gula Biagi avalia que o segmento dos food trucks está passando por um amadurecimento necessário. Há um ano e meio à frente do Food Park Cidade, primeiro espaço fixo para food trucks de Ribeirão, também seguindo uma tendência da capital, Gula confessa que também sentiu uma queda brusca no público depois dos primeiros seis meses de funcionamento.


Food Park Cidade

“Acredito que estamos na segunda geração de empresários de food trucks. 95% não se planejaram, não analisaram o negócio em cima de números. Esse pessoal aventureiro se foi, agora as pessoas que entraram e que ficaram são mais responsáveis, pensando um pouco mais sobre qualidade de produto”, opina.

Atualmente, o Food Park Cidade conta com cerca de 10 opções de alimentação móvel. Cada unidade paga um valor de aluguel e compartilha os gastos com energia e manutenção. Seu concorrente, o Food Park do Botânico, também pegou rabeira na onda, mas não sobreviveu e encerrou as atividades em março deste ano sem grandes explicações.

O Shopping Iguatemi também realiza, nos dias 5 e 6 de agosto, a 4ª edição do seu Festival Gastronômico, com 22 opções de alimentação móvel entre barracas de restaurantes e 7 food trucks. Dentre eles, apenas 3 são de Ribeirão Preto. 


Food Truck Buzina, de São Paulo, sucesso em edições passadas do Festival Gastronômico do Shopping Iguatemi

Dicas de ouro

Para Gula, os donos de food trucks precisam diversificar sua atuação se quiserem sobreviver daqui pra frente. "Tem que estar agregado a algum evento, tem que fazer aniversário, festival, corporativo, uma festa, buscar um grande público. Não dá pra ficar só em um ponto, senão não se sustenta”.

Além disso, ele recomenda que não fiquem parado em um só ponto específico e nem que vaguem por aí, parando em qualquer lugar. “O food truck não é tão móvel assim, tem muito custo, é importante que ele tenha poucos pontos e fiéis”.

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