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Meliponicultura: a ascensão do mel de origem

08/08/2017

Meliponicultura: a ascensão do mel de origem
Foto: Pexels

Se quando o assunto é mel você sempre o associa a remédio natural, tranquilo, muita gente ainda tem essa ideia sobre o produto. A novidade é que o mel tem ganhado status de estrela na gastronomia nas mãos de chefs que querem valorizar cada vez mais a sua utilização e também atraído a atenção de pessoas que procuram por uma alimentação mais natural.

A produção de mel depende diretamente das espécies de abelhas, por isso a variedade é tão grande. São 350 espécies nas Américas e 250 só no brasil. Os méis são quase infinitos se multiplicarmos o número de espécies de abelhas pelo número de flores disponíveis em nossa flora.

Apicultura X Meliponicultura

A produção de mel no Brasil se divide em dois segmentos: a Apicultura, que é a cultura de abelhas com ferrão, geralmente brasileiras e africanas; e a Meliponicultura, que é a criação de abelhas sem ferrão de origem subtropical e tropical.

Vamos nos ater à Meliponicultura, que é o segmento que detém uma minúscula parte do mercado com o mel Meliponinis. Ele é especial porque é produzido em pequena escala e por pequenos produtores, traduzindo o sabor das floradas existentes exclusivamente naquela região. Por abranger abelhas e floradas nativas, o mel de origem é considerado uma iguaria especial e, por isso, o preço é bem mais alto do que o mel generalista encontrado nas gôndolas dos supermercados.

Diferentes tipos de abelhas e floradas produzem méis com diferentes colorações e aromas. Foto: Pexels.

Para Jerônimo Kahn Villas-Boas, ecólogo e especialista em abelhas e meliponicultura, este tipo de mel é um produto que faz parte da tradição cultural brasileira que está ganhando um mercado cada vez mais exigente de qualidade e procedência. “Com esse processo de valorização recente da sócio biodiversidade, há uma oportunidade de inserir o produto no mercado. Porém, o que falta é regularizar tudo isso de forma a contemplar a pequena escala da produção artesanal”.

Até pouco tempo atrás, a cadeia produtiva do mel das abelhas nativas não era regulamentada. O mel e outros produtos de origem animal estão ligados ao Regulamento de Inspeção Industrial de Produtos de Origem Animal, determinado por um decreto presidencial de 1952. Este decreto só contemplava a apicultura (produção em grande escala) e, em maio de 2017, uma nova versão incluiu a produção de mel de abelhas nativas. “Porém, esse decreto só estabelece diretrizes gerais. Necessitamos de regulamentação técnica e ainda não existe em nível nacional”, explica Jerônimo.

O mercado

Daniela Prata Amêndola, chef e sócia-proprietária da Casa55 Mercado Deli, sente que o mercado está propício para este tipo de produto premium, já que tem recebido feedbacks positivos dos clientes. No entanto, assim como acontece com o segmento dos orgânicos, o mercado dos méis crus (que não passam pelo processo de pasteurização como os comuns) é bastante instável.

“É difícil, às vezes falta. Trabalhar com pequenos produtores, que é nosso forte, tem esse lado, mas nossos clientes têm entendido aos poucos. O mel que você adorou na semana passada pode não ter hoje por causa de uma seca, de uma chuva. O público já está compreendendo este processo”, explica.

Em média, os méis de meliponicultura variam entre R$11 (pote de 40g) e R$35 (300g), em Ribeirão Preto.

Se você quiser explorar ainda mais o universo das abelhas e seus produtos, não deixe de conferir ESTE POST do site Gastrolândia, que tem tudo o que você sempre quis saber, mas sempre teve vergonha de perguntar. :)

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