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Guia de Chás para iniciantes

09/11/2016

por: Leonardo Castelo Branco
Guia de Chás para iniciantes
Ilustração Camila Gray

Graças a tradição e magia presentes em suas prioridades e seu ritual de consumo, hoje o chá é a segunda bebida mais consumida em todo mundo.

Porém, no Brasil ainda precisa ser mais discutida, vivida e sentida. Já parou para pensar que a reação de uma pessoa ao ser chamada para um café pode ser outra, completamente diferente, de quando convidada para um chazinho? Eu fiz o teste. Quando o convite envolvia chás, escutei diversos: “Chá? Mas por quê? Eu não estou doente!” e muitos outros: “Como assim, chá? Tá louco!”. Por outro lado, o café teve 100% de aceitação.

Não posso falar nada, se não tivesse a missão de escrever uma matéria sobre o assunto acredito que teria a mesma atitude. Eu não sabia absolutamente nada sobre chás, aliás, ainda tenho muito para descobrir tratando-se de um assunto tão rico e com poder altamente transformador, mas posso afirmar que aprendi o suficiente para mudar meus hábitos.

A primeira coisa que deve ser levada em consideração é que o chá, assim como a poesia, a música ou o cinema, é mais para sentir do que para entender. Não é apenas uma bebida, é uma experiência completa: sentar em volta de uma mesa – ou em qualquer lugar que reine a paz – e apreciá-la de forma lenta, enquanto os presentes aproveitam o momento e os assuntos ali discutidos ao máximo.

É um instante de troca de experiências e sabedoria. Um prazer simples, mas extremamente venerável. Diversas confissões são feitas nesses rituais, muitas vezes tendo o chá como única testemunha. Uma oportunidade harmônica para dias tão caóticos como os atuais, espécie de botão pause para a rotina, o chá.

Após tentativas fracassadas com os chás de saquinho, fui à Loja do Chá, em São Paulo, onde se vive o ritual clássico da bebida em sua essência. Quem me recebeu foi a proprietária, Carla Saueressig, com quem passei cerca de 6 horas provando todos os tipos de chás, inclusive com bebidas alcoólicas. Sim, funciona e é bem aprazível.

Tomei desde o Matcha, atual queridinho dos amantes da bebida, chá verde japonês feito a partir de gotas de orvalho, extremamente rico em clorofila e aminoácidos, até o de sabor de pão de mel, exclusivo da casa, que, de uma maneira inexplicável, abraçou minha alma e me fez revisitar lembranças bonitas, onde julgava que não

voltaria por livre e espontânea vontade.

Ilustração Camila Gray, abertura da matéria impressa

Mas o ritual não é necessariamente igual para todos. Sozinho em casa, experimentei chá de camomila com hortelã, o que me relaxou de uma forma diferente da esperada. Foi como sentir cada ingrediente começando a fazer parte do meu corpo. Encontrei a paz interior em uma xícara. Naquele momento, o chá me lembrou que os pequenos detalhes fazem grande diferença.

Bruna Soberllo, designer de 20 anos, me confirmou que o chá também tem esse poder. “De preferência tomo na janela e no escuro, gosto tanto de tomar o chá quanto de absorver o cheiro e a fumaça quente. Realmente sinto que meu coração desacelera e minha mente fica mais focada.”. Para Bruna, o momento do consumo é o ápice da experiência e não deve ser banalizado. “Escolho o chá de acordo com o que sinto que é prioridade no momento” completou.

Nossos avós tinham razão: os chás têm excelentes propriedades para curar desde uma simples dor de barriga até prevenir certos tipos de câncer, além daqueles que tem como principal êxito relaxar o corpo e o espírito. É na casa dos avós que a maioria dos brasileiros tem os primeiros contatos com a bebida aromática. “Desde pequena sempre tomava chá na casa da minha avó, e em casa, sempre tinha no café da manhã e no jantar” conta a publicitária Joana Jackson. “Mas não lembro de quando experimentei a primeira vez, é como se sempre conhecesse”. Todas as pessoas com quem conversei deixam emanar certa poesia quando falam sobre chá.

A tradição é passada também de mãe para filha, como é o caso da Ligia Kempfer e Julia, sua filha, apaixonada por chá Earl Grey com gengibre. “Se a mamãe fizer, eu tomo todos os dias” diz a sorridente Julia de 10 anos. Ela foi apresentada aos alimentos mais saudáveis bem cedo, inclusive o chá. Foi amor ao primeiro gole.

Mas a tradição da vovó carrega consigo uma espécie de maldição. Por conta dela, muita gente assemelha o chá apenas às suas propriedades medicinais, tapando os olhos para seus efeitos notáveis no dia a dia, como relaxamento, por exemplo. Carla Saueressig, da Loja do Chá, acredita que o cenário, pouco a pouco, está mudando: “As pessoas estão viajando mais, conhecendo mais os chás e seus rituais ao redor do mundo, depois procuram isso por aqui”. A publicitária Olivia Flores é prova disso: consome os mais variados chás todos os dias, cada um com uma função específica, variando conforme suas necessidades. “Tomo chá o dia todo. Troquei por água e por refrigerante. Quando quero emagrecer, tomo hibisco. Se estou estressada, tomo camomila. Quando estou cansada, tomo chá preto. Quando é apenas para relaxar uso algum do meu arsenal de chás diferentes e caros para degustar” explica.

Viver, respirar e sentir o chá por semanas fez com que eu reencontrasse pessoas com quem não falava há anos e também conhece gente muito boa, com quem degustei chás incríveis e mudei minha visão sobre o assunto. Conclusão: no caso do chá, o ritual faz a ocasião. O lugar que você escolhe para consumi-lo, o seu estado de espírito no momento e, principalmente, com quem você compartilha a experiência são fundamentais. As funções variam para cada um, o que você vai descobrir com o tempo e hábito. Consumir essa bebida com mais de 5 mil anos de história é treinar a própria intuição.

Após o aprender o básico, percebi que o mais inteligente seria escrever um pequeno guia para os iniciantes nesta arte milenar para que não caiam nas mesmas roubadas que eu. São apenas 3 tópicos sugestivos, mas que tenho certeza vão iniciá-lo como êxito neste universo fantástico e vão tornar mais fácil convencer seus amigos a compartilharem a experiência com você, e de quebra ajudamos a tornar esse hábito tão especial mais popular por aqui.

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