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Podemos exercitar nossos sentidos e aprimorá-los

Por: Carina Tafas

10/07/2018
Podemos exercitar nossos sentidos e aprimorá-los

O paladar é a prova que, quanto mais estímulos alimentares tivermos ao longo das nossas vidas, mais eficientes seremos na aceitação de novos sabores.

foto: Jelleke Vanootegh via Unsplash

O paladar é um dos nossos 5 sentidos. Junto com o tato, audição, olfato e visão, formam nossa capacidade de sentir o mundo por meio dos estímulos recebidos. Ele nos permite o reconhecimento dos gostos e sabores dos alimentos colocados sobre a língua. É um sistema muito mais complexo que imaginamos e uma vez que entendemos a importância de se exercitá-lo, podemos evitar que crianças tenham dificuldades em se alimentar de forma diversificada no futuro.

As papilas gustativas, presentes na língua, reconhecem as substâncias do gosto (amargo, salgado, doce e ácido) e enviam a informação para o cérebro. Está provado que o paladar se desenvolve antes do nascimento. Segundo John Prescott, psicólogo australiano e Ph.D em psicologia experimental, estudos revelam que essa escolha vem desde a gestação. As crianças demonstram preferências para sabores de alimentos presentes na dieta da mãe quando grávida. “Esse fato nos leva a concluir que há uma maturidade pré-natal dos sentidos gustativos e olfativo”. Já, durante a amamentação, as preferências do bebê estarão ligadas ao que a mãe consome. Portanto, apostar em uma alimentação variada e nutritiva nestes períodos, seria uma aposta inteligente no processo alimentar futuro.

Raw Pixel. Via Unsplash

Entretanto, as papilas gustativas recebem o seu maior estimulo através da alimentação e é por isso que o bebê será capaz de responder de diferentes maneiras diante desses 4 sabores. Mas é por volta dos 2 ou 3 anos de idade que as preferências e rejeições começam a aparecer com mais nitidez. E é neste momento que algumas atitudes podem contribuir para o desenvolvimento do paladar saudável da criança.

Em primeiro lugar, citaria o EXEMPLO. Crianças tem por instinto, repetir o que os pais fazem, tanto no dia a dia em casa, como os hábitos durante a mesa. Se os pais comem, chuchu, abóbora, etc, com satisfação, esse gesto ajudaria o filho a querer experimentar, como também a gostar de tais alimentos. Outra falha comum, é quando a mãe ou pai tem por costume, não oferecer aquilo que não gostam. Se você não oferecer abacate ao seu filho, pois nunca gostou, será quase impossível que ele queira experimentar na casa de um amigo ou dos avos, pois nunca teve o contato antes. Por isso, devemos oferecer principalmente aquilo que sabemos ser saudável, mesmo que não possamos nem sentir o cheiro. Quem sabe os pais também não mudam? Como parte da formação do paladar vem do aprendizado, os pais têm papel fundamental nesse processo.

Em segundo lugar, podemos mencionar a PREPARAÇÃO. Crianças gostam de diversão, gostam de participar das atividades junto aos pais. Se isso não for comum no dia a dia, ensine seu filho a ajudar na cozinha, por exemplo. Inserir as crianças na preparação dos pratos é um ponto inicial para o contato com os alimentos, muitas vezes desconhecidos. A preparação, assim como num restaurante, começa na compra dos ingredientes. Leve seu filho ao mercado, ou a feira e ensine sobre cada item. Repolho, abobora, berinjela são muitas vezes amigos distantes, mas não esqueça dos temperos, ervas que também fazem parte do preparo das refeições. Em casa, ajude-os a cortar, deixe-os pegar e sentir o cheiro e as texturas. Isso aproxima eles e os tornam mais amigáveis. Outra forma de agradar as crianças à mesa, é a forma como o prato é apresentado. Assim como num bom restaurante, cujo ambiente procura fisgar o consumidor, o prato, além de ser saboroso, deve atrai pela apresentação. Sirva um prato de forma que forme um rosto, ou um animal, ou onde o brócolis é o cabelo, por exemplo. Outra estratégia, é apostar em um prato de um personagem favorito. Para crianças que gostam de brincar de imaginação, esse é um “prato e tanto”. Também não esqueça de variar os temperos. Muitas vezes a criança pode não ser tão propenso a gostar de alho, por exemplo, e por isso não quer comer o arroz integral. Talvez o problema não seja o arroz integral e sim o tempero. Procure variar, misturar e ousar nos temperos naturais.

 Foodism via Unsplash

Em terceiro lugar, podemos elencar a INSISTÊNCIA. Muito comum entre pais, é a frase: “Meu filho não gosta de cenoura” (ou outro alimento), e por isso, acabam não oferecendo esse vegetal de outras formas e em outras ocasiões. A criança pode não gostar da cenoura ralada, mas se você a fizer refogada com um frango, ou em forma de suco ou um purê, pode se surpreender com a reação do seu filho. Neste momento, a criatividade é importante e se você tem dificuldades nas preparações, sugiro que aprenda com livros ou em sites especializados. A neofobia alimentar contribuiu para esse agravante. Sabe-se que entre os 2 e os 10 anos, e principalmente entre os 4 e os 7 anos, 77% das crianças se recusam a comer o que não conhecem. No entanto, nada resiste a insistência em apresenta-los de formas variadas.

Pesquisam comprovam que a aceitação por determinados alimentos, pode ser observada a partir da 12 (decima segunda) vez em que este alimento foi apresentado a criança. Neste caso, antes de afirmar que seu filho não gosta de castanha (por exemplo), ofereça pelo menos 12 vezes. Lembrando que os fatores anteriores (1 e 2) ajudarão nesse processo.

E o quarto e último fator que contribuiu para o sucesso do habito alimentar, mas, no entanto, não menos importante, citaríamos a DIVERSIDADE ALIMENTAR. Após o início da introdução alimentar, em que os alimentos são oferecidos de forma gradual, a partir de 1 ano de idade, a oferta deve ser variada. Frutas, verduras, legumes, temperos devem ser oferecidos, TODOS. Cada dia, um alimento diferente, de modo que seu filho experimente tudo. Muitas vezes, frutas menos comuns, como pitaya, por exemplo, que é extremamente nutritiva, pode e deve ser introduzido na alimentação infantil. Dessa forma, a criança, aprimora o paladar e lida com a diversidade alimentar de forma mais natural, onde certos alimentos não viram um “bicho papāo”.

Com essas diretrizes, dificilmente seu filho será uma criança “chata para comer”, pois ela estará recebendo os estímulos essenciais nesse processo. E mesmo ela tendo dificuldades em aceitar uma alimentação mais saudável, você sozinho ou com a ajuda de um profissional, podem reverter a situação. O paladar formado, é mais difícil de mudar mas não impossível. Requer paciência e insistência dos pais, como num plano em equipe, onde todos entrarão no planejamento alimentar da família. Colocar em pratica as 4 formas de adquirir bons hábitos alimentares, potencializam um estilo de vida saudável e desenvolve a formação do paladar infantil.



Carina Tafas
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