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MEU PUDIM NO PJCP

Por: Bia Amorim

06/01/2019
MEU PUDIM NO PJCP

Dias atrás escrevi um texto divertido sobre Pudins e Julgamentos cervejeiros (AQUI). No meio de tudo isso, a história é que a gente tem memória gastronômica e comida é facilmente associada a bons momentos, prazer sensorial, atividade em grupo e milhares de acontecimentos interessantes de se estudar. Vivemos para comer, o fato é que evoluímos tanto que a gente aprendeu a fazer pudim. A questão é que evoluímos um pouco mais e agora queremos fazer o melhor pudim, comer o melhor pudim, ou qualquer subterfúgio para falar de pudim, até um texto no sense como este.

Se você chegou ao segundo parágrafo parabéns, a partir desta linha você toma a consciência que é apenas um gourmand no mundo, um qualquer, mas um que desafia os limites da gema, provoca as fronteiras do caramelo e não se aborrece com as chateações de nano questões sobre ter ou não furinho. Venha comigo geek do pudim, vamos nos divertir quase que gratuitamente com a ciência por trás da sobremesa....quer dizer, vamos nada, eu tô fazendo pudim depois de muitos anos sem ousar. Vou inicialmente só relatar minha ansiedade com picos enormes de açúcar.

Neste momento estou sentada escrevendo na sala enquanto a louça me espera e o banho maria esquenta a fôrma esquisita com buraco no meio e coberta por papel alumínio. Faz 45 minutos que a preparação entrou no forno e ainda me faltam pelo menos 30 minutos de 160ºC para saber se o básico eu fiz. Me sinto momentaneamente segura, peguei dicas em muitos canais do Youtube, coisas com os títulos como “O MELHOR PUDIM DA VIDA”, “PUDIM SEM FURINHOS, PERFEIÇÃO”, “CREMOSO E DELICIOSO!” “PUDIM EM 20 MINUTOS, FICA DELICIOSO”, entre outros. Quanto mais eu passava as páginas do livro mundial de receitas “Google”, mais tipos diferentes e ingredientes excêntricos eu encontrava. Saudades de quando só olhava a lata e estava lá, simples.

Mas saudade só no sentido figurado. Antes cada um com seu gosto tinha que comer só o que tinha o gosto de quem escrevia a receita, das poucas opções de ingredientes nas gôndolas. Antigamente a sua tia foi quem ficou com a fórmula oficial da vovó, detinha o poder da receita nostálgica e perfeita. Ninguém mais conseguia o resultado bom, o ótimo, a técnica, o pudim que não tinha sequer uma bolinha de ar. Aquela calda tão lisa e transparente, com um marrom da cota de couro mais linda das fazendas, só a tia continha. Ela se gabava e recebia todos os doces abraços das crianças. O segredo, é a técnica que vovó aprendeu com sua sogra, que aprendeu com sua tia, que aprendeu com sua avó e assim até a descoberta de técnicas de lidar com o açúcar. Não adiantava espiar quantas xícaras de açúcar.

Hoje a criança que começa a se aventurar, os adolescentes do pão com ovo e os adultos que não aprenderam a cozinhar com a família estão a um clique de ter o pudim mais cremoso, sem furinhos, 20 minutos, no liquidificador, sem louças, menos de 10 reais e com a calda mais acertada do mundo. Em 13 minutos de vídeo uma subcelebridade moderna, youtuber gastronômica, sua vizinha do apê de baixo que compartilhou em open source a receita da tia, que estava perdida em um canto sujo da cozinha da prima que nunca ligou.

Estamos agora a poucos minutos de tirar o tal pudim do forno. Me alegro em saber que fiz um mix de receitas e confiei pouco em cada canal que assisti. Metade do açúcar, mais gema e menos clara, pitada de baunilha. Cuidado na temperatura e tempo de forno. Liquidificador foi 50/50 nas opiniões. Fiquei com bater na mão para não aerar o processo. 1 lata da moça, 1 lata da fazenda, 4 gemas, 2 claras. Coa antes de colocar na forminha de vulcão.

Tô me sentindo à vontade para escrever um LA COZINHA DE PUDIM, um thriller de suspense no melhor clima Netflix. A verdade é que achei tão simples e fácil de fazer que tenho medo que a ciência me pegue de jeito. Receio que dê errado no capítulo 8, faltando apenas 2 episódios para o final. A música de suspense quando descubro que não coloquei água na assadeira. Os ovos quebrando todos com um pintinho dentro. A calda preta feito uma Stout.

Tlim. Fez o forno. Vou lá tirar meu pudim e deixar esfriar na bancada e depois cobrir com plástico filme e depois colocar na geladeira por 6 horas e depois sentar e avaliar tudo, vendo se estou de acordo com o PJCP, claro, porque estou aqui para criticar e continuar evoluindo, até criar meu canal e compartilhar com o mundo. Mentira, até a criançada que tá de férias devorar ele em uma sentada, me abraçar todas molhadas da piscina e lembrar para sempre desse dia tão doce que eu ajudei a memorizar.



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