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Dias de RIS

Por: Bia Amorim

09/10/2018
Dias de RIS

Imagem Josep Castells via Unsplash

Olho o céu e penso qual cerveja beber. Tem dias que não é exatamente o paladar quem vai escolher o sabor. Tem dias que são carrancudos e por isso pedem sombriamente por uma cerveja mais pesada que os edifícios que carregamos nos ombros.

Os grupos de whatsapp bombando desde cedo. O FLA X FLU não era nem pela novidade quase lupulada. Mesmo nos meus grupos mais “nichados”, a temática de MEME´s, GIF´s e até o bom dia se resumia a bandeira brasileira ou assunto do tipo. Nem na Copa do Mundo chacoalhamos tanto. Não se falava mais em outra coisa, nem mesmo de cerveja. No grupo da família, dos amigos, dos estudos, dos esportes. Penso que poderia tomar uma Dunkel por isso.

Logo cedo na fila da padaria um burburinho. Achei que o famoso mini pão de queijo (leia-se: com queijo da Canastra) era quem estaria saindo do forno. Ou quem sabe aqueles pães docinhos irresistíveis? Mas não, era só uma conversa de ódio solta e sem noção nenhuma. Tomaria uma Schwarzbier por isso.

Foto: Joaquin Romero via Unsplash

No trabalho ninguém queria muito puxar papo. Abençoadas as empresas focadas. Que tristeza as empresas fofocadas. Imagina descobrir que a pessoa que senta ao seu lado na mesa é divergente de você?(!!) Você olha para o lado e sempre tem alguém bufando. Tomaria uma Belgian Dark Strong Ale por isso.

Nas redes sociais é onde a liberdade falta limite. Onde estão os pais dessa imaturidade? Onde está Darwin? Os inventores da eletricidade devem estar se revirando no túmulo. Conseguimos claramente ver nesse mar de violência escrita. Fake News. Prós e Contra tudo. É um momento de sentar e observar. Estamos na verdade longe. Distantes da evolução que parecia que tínhamos. Tanta tecnologia e ferramentas e não nos reconhecemos ainda. Momento de filosofar e escrever sobre o momento. Ler os mais sábios e aprender com eles. Tomaria uma Coffee Porter para isso.

Foto Elvis Beckmanis via Unsplash

Olhei para dentro de mim. Apesar de toda escuridão acumulada, tinha ali também uma montanha de esperança. Abri minha Russian Imperial Stout. Pesada como os prédios. Uma lição ao meu paladar. Alcoólica na medida exata para cair no sofá e tirar o véu da rotina. Torrada a ponto de não me deixar dormir e ser obrigada a vagar pelo otimismo necessário para acordar e ir trabalhar no dia de amanhã. Macia o suficiente para acalmar minha alma. A potência alcançou a realidade e me fez agradecer a cada gole pela evolução das minhas papilas. Dormi que amanhã tem mais prédio para carregar. E mais sabores para abrir. E mais coisas para reclamar. Mas com menos ódio. Só com o amargor da cerveja mesmo.



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