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Blumenau 2018, sou jurada no concurso de cerveja

Por: Bia Amorim

06/03/2018
Blumenau 2018, sou jurada no concurso de cerveja

Cheguei em Blumenau, 2018.

No pavilhão da Vila Germânica, 27 mesas montadas. 2.859 cervejas esperavam o julgamento de 82 pessoas, especialistas em diversas áreas dentro do meio cervejeiro. 38 jurados de diferentes países. O mundo inteiro representado por 19 culturas diferentes e países que não tomam cerveja igual, mas sabem o que é qualidade.

Dadas as instruções de forma bilíngue, no grande espaço daquele salão, arejado e silencioso, começavam os olhares, cheiros e goles. Cores, espuma, sabores, sensações de boca. Equilíbrio? Drinkability? Impressão geral? Alguns parâmetros definem a forma como trabalha um juiz de cerveja.

As cervejas não chegam sozinhas. Uma equipe de mais de 30 pessoas trabalhava no serviço e nos bastidores. Muita tecnologia adicionada este ano, novos processos. Tudo direto no tablete. Um sistema inteligente que ajuda a garantir um processo mais rápido e eficiente. Fora uma caligrafia mundialmente conhecida. Arial ou Times New Roman por exemplo.

As etapas classificatórias são as mais cansativas. Cervejas e mais cervejas que são colocadas nas categorias erradas. Falta conhecimento de quem preenche a inscrição. Cervejas e mais cervejas com defeitos graves. Falta de conhecimento de quem produz de forma pouco criteriosa e científica a bebida.

As discussões, em inglês, em alemão, em espanhol e em todas as línguas são muito enriquecedoras. Não saímos os mesmos de uma mesa. Saímos com uma forma mais aberta de pensar. Olhamos detalhes que não tínhamos tanta clareza. Aprendemos demais, gole a gole. Todos os dias, as mesas mudavam as configurações. Sentou com uma pessoa hoje, não senta com ela amanhã.

Cada estilo também se encontrava nos paladares mais experientes. Etapa final, alemão e brasileiros decidindo sobre estilos tradicionais e da cultura alemã, feita por aqui e assim por diante. Cervejas belgas, ácidas e complexas, observadas e julgadas por profissionais que estão a todo momento trabalhando com os elementos que compõe aquela receita.

Água e pão. Água e pão. Não mudamos muito afinal, não é? Milênios atrás e continuamos a repetir aquilo que nosso corpo pede e nossa alma sente. Água e pão entre as cervejas. Amenizar os sabores e resquícios e partir para uma nova amostra. Com tanta água, seguimos indo ao banheiro mil vezes. É o corpo.

O começo do dia é alegre. Verificamos os estilos que passarão por nós no decorrer das horas. Nos alegramos ou nos entristecemos de acordo com os números da categoria do Brewers Association. Não fazemos só aquilo que gostamos. Mas podemos fugir daqueles piores para nosso julgamento. São cerca de 40 amostras por dia, pra mais.

Nem sempre é agradável provar uma dúzia de cervejas muito defumadas ou ácidas ou alcoólicas ou super amargas ou extremamente doces ou com notas láticas. Nem tudo são aromas de flores. Diacetil, fenólico, butírico, sulfuroso, DMS. Nomes estranhos, cheiros ainda pior. Estamos aqui avaliando também o quanto falta para o mercado deixar de ser amador, quase profissional e se tornar maduro.

As cervejas que nada ganham, voltam para casa com registros importantes. Muitas têm a explicação da causa de não estarem no pódio. Essa é a lição de casa que o mercado cervejeiro deve prestar a atenção. Esse é o pulo do gato. Corrigir e voltar ano que vem com tudo que for necessário e encarar essa batalha.

As medalhas são importantes e merecidas. Aplausos para quem hoje consegue entregar um produto, que com o preço Brasil, precisa estar dentro da entrega e superar expectativas. Essas cervejas estão no mercado para serem compradas, degustadas e vivenciadas mesmo. Vamos fazer nossa parte de consumidor, vamos beber e brindar.

Acabamos essa rodada 2018. Degustamos os 148 estilos diferentes propostos. O Brasil entregou 58 amostras diferentes de um estilo que pretende chamar de seu, a Catharina Sour. Os “gringos” adoraram. Mais um ano, mais um festival, mais um trabalho entregue.

Vamos aguardar o resultado. Boa sorte e um brinde grande a todos. Sempre um prazer trabalhar para esta cultura cervejeira.

* Imagem cedida pela organização do festival.

Quer saber mais sobre o Festival e quem são os juízes? Tem no link, clica aqui



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