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Amigos e bebidas

Por: Bia Amorim

06/08/2017

Dizia o poetinha que o uísque é o cão engarrafado. Vinícius de Morais, que não fazia amigos em leiteria, era um amigo que eu gostaria de ter tido

A risada não é contida. A mesa, que já é meio capenga, balança a cada frase dita. Os copos suados pela temperatura da cerveja quase transbordam nesse sacudir se não fossem os goles rápidos. Quando a conversa está boa, alguém sempre lembra de uma história muito “cabeluda” de anos atrás!

Deixa-se levar o tempo que não conta as horas.  

A vida às vezes é cena de um pequeno filme na memória. Aquela risada alta que ecoa. A mesa, tanto faz. Pode ser no bar ou em casa, pode ser uma calçada, na rede... Pode ser um balcão, pode ser na areia da praia. A bebida pode ser cerveja, pode ser vinho, pode ser saquê. A cachaça, vodka, rum ou qualquer outro destilado. A verdade é que o álcool coloca as pessoas juntas desde que ele foi descoberto. Foi bebido. “Se sólido fosse, come-lo-ia.”

foto: Rogerio Volgarine

De fato acho que nunca parei mesmo para pensar em quem gostaria de ter tido de “amigos famosos”. Mal dou conta de beber com os amigos que tenho no agora. Fico imaginando qual cerveja cada amigo gosta. Tenho uma lista enorme de amigas que bebem cerveja. Acho que uma gosta de cervejas do tipo Blond Ale, a outra Barleywine, uma gosta de Witbier e tem até aquela fã da NEIPA. Os amigos, mesmo que longe, eu ainda imagino que beberiam uma Brown Ale, tem um corajoso que beberia Rauchbier mesmo sem nunca ter ouvido falar, se eu fizesse essa sugestão. Isso que dá ter uma amiga sommelière.

Lembro bem da época de faculdade. Melhor ambientação que eu já tive para o álcool. O corpo e os amigos nos aguentam até tarde, na conversa solta, nos devaneios repetidos, nas promessas vazias de concretude. Beber com os amigos nos come o tempo de uma forma singular. Nos tira de casa. Move-nos para a geladeira.  Faz-nos escrever a história. Risada não contida. Voltamos a pé para casa, rachamos o táxi, pegamos o busão juntos, todo mundo rateia no aplicativo.

Tem sempre aquele amigo que exagera. Tem sempre uma história de alguém que passou “ruim”. Amigo é amigo para toda a hora? Amiga segura seu cabelo depois de um passar da conta enquanto abraça a privada?

Existem outros casos em que a bebida não está. A amiga que vai ser a motorista da rodada. Um salve para esta grande guerreira. O amigo que não tá podendo beber. Um brinde a ele. A pessoa que está tomando remédio. Saúde! Ou aqueles que não gostam. Paciência e gratidão, sempre serão os mais responsáveis e que lembrarão de todo o filme.

Brinde aos seus amigos que estão longe. Brinde aos seus amigos perdidos. Brinde aos amigos que vão vir. Brinde aos que já não estão mais aqui. Brinde aos amigos da família.

A bebida é apenas uma parte da composição. Faça dela uma ferramenta saudável para estar com seus queridos e queridas.

O importante da mistura são sempre as pessoas.

*publicado originalmente em 20 de Julho de 2017, no site Papo de Homem



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